“Infelizmente,
sempre em conversas com amigos eu admito que a cidade de Passos tem algo de
autofágica”. Frase que inicia a Coluna Opinião do dia 4 último de autoria do
Professor Esdras Azarias de Campos, sobre a estadualização da FESP, aliás, com
a precisão de sempre e, no caso, com a sinceridade de quem participou
honestamente da história dessa entidade de ensino, orgulho e preocupação da
esmagadora maioria dos passenses.
Mas, não é sobre a
estadualização a minha abordagem de agora. É sobre a autofagia que nos acomete
de uns tempos pra cá, muito bem lembrada pelo Professor Esdras. Não sobre o
conceito científico do termo, mas de seu significado mais amplo, que engloba a
visão míope e egoísta de nossos políticos, corroborada pela maioria de
eleitores de memória curta.
Basta lembrar
que, estando no décimo terceiro ano ou no quarto mandato (16 anos) do século
atual, tivemos somente dois prefeitos e, pasmem, nenhuma reeleição. Isso é
autofagia.
Também é
autofagia estagnar no tempo, fazendo o mesmo do mesmo; assumir um mandado e se
satisfazer unicamente com a solução imediata dos problemas de seu grupo; gastar
energia e grana para destruir ou modificar o que o antecessor fez; não tomar
providências simples no presente para evitar graves problemas no futuro e muito
mais.
De algumas das
poucas atitudes autofágicas acima citadas, acredito que somente uma delas, a última,
carece de um exemplo para torná-la mais clara. Vamos a ela. Antes, porém, uma
exceção. Somente num caso a autofagia não se impôs: a criação dos cargos
comissionados de Assessores Especiais, sem qualquer serventia para a cidade
como um todo, mas dreno permanente de recursos públicos escassos.
Para desenvolver
seu Plano de Obras para a MG-050, a Nascentes das Gerais, que recebeu a
concessão dos seus 406 km, convidou as autoridades dos municípios cortados pela
citada rodovia para audiências públicas, nas quais seriam apresentadas as
reivindicações de cada um. As autoridades de nossa autofágica urbe nem fé deram,
não comparecendo.
Hoje penamos pela não realização de obras extremamente
importantes para nosso município. A situação em que estamos em relação a
Nascentes das Gerais é tão estranha que parece não existirmos para ela,
comprovado por algumas atitudes inusitadas, mas de fácil solução, na atuação da
concessionária em relação a nosso município.
A MG-050 ao longo dos seus 406 km possui
seis praças de pedágio. Todas receberam o nome do município no qual estão
instaladas, menos o da nossa autofágica urbe que foi denominada “Rio
Conquista”. Um percentual do pedágio é destinado ao pagamento do ISSQN, imposto
municipal, que é recolhido pela Nascentes das Gerais e beneficia 17 municípios
atravessados pela MG-050, menos Passos. A grana deve estar indo para o rio
Conquista. (Ver site da concessionária: WWW.nascentesnet.com.br,
nos links: FAQ – onde há praças de pedágios? e Obras e Investimentos – cidades beneficiadas
com ISS).
Em 5 anos de cobrança de pedágio somente 10 dos 406 km foram duplicados.
Trevo na entrada de Passos (Av. Arlindo Figueiredo), o mais perigoso de Minas ou, como diria um nosso Ex-governador, cuíca do Brasil.

