quinta-feira, 13 de junho de 2013

Urbe Autofágica


     “Infelizmente, sempre em conversas com amigos eu admito que a cidade de Passos tem algo de autofágica”. Frase que inicia a Coluna Opinião do dia 4 último de autoria do Professor Esdras Azarias de Campos, sobre a estadualização da FESP, aliás, com a precisão de sempre e, no caso, com a sinceridade de quem participou honestamente da história dessa entidade de ensino, orgulho e preocupação da esmagadora maioria dos passenses.
     Mas, não é sobre a estadualização a minha abordagem de agora. É sobre a autofagia que nos acomete de uns tempos pra cá, muito bem lembrada pelo Professor Esdras. Não sobre o conceito científico do termo, mas de seu significado mais amplo, que engloba a visão míope e egoísta de nossos políticos, corroborada pela maioria de eleitores de memória curta.
     Basta lembrar que, estando no décimo terceiro ano ou no quarto mandato (16 anos) do século atual, tivemos somente dois prefeitos e, pasmem, nenhuma reeleição. Isso é autofagia.
     Também é autofagia estagnar no tempo, fazendo o mesmo do mesmo; assumir um mandado e se satisfazer unicamente com a solução imediata dos problemas de seu grupo; gastar energia e grana para destruir ou modificar o que o antecessor fez; não tomar providências simples no presente para evitar graves problemas no futuro e muito mais.
      De algumas das poucas atitudes autofágicas acima citadas, acredito que somente uma delas, a última, carece de um exemplo para torná-la mais clara. Vamos a ela. Antes, porém, uma exceção. Somente num caso a autofagia não se impôs: a criação dos cargos comissionados de Assessores Especiais, sem qualquer serventia para a cidade como um todo, mas dreno permanente de recursos públicos escassos.
      Para desenvolver seu Plano de Obras para a MG-050, a Nascentes das Gerais, que recebeu a concessão dos seus 406 km, convidou as autoridades dos municípios cortados pela citada rodovia para audiências públicas, nas quais seriam apresentadas as reivindicações de cada um. As autoridades de nossa autofágica urbe nem fé deram, não comparecendo.
     Hoje penamos pela não realização de obras extremamente importantes para nosso município. A situação em que estamos em relação a Nascentes das Gerais é tão estranha que parece não existirmos para ela, comprovado por algumas atitudes inusitadas, mas de fácil solução, na atuação da concessionária em relação a nosso município.   

     A MG-050 ao longo dos seus 406 km possui seis praças de pedágio. Todas receberam o nome do município no qual estão instaladas, menos o da nossa autofágica urbe que foi denominada “Rio Conquista”. Um percentual do pedágio é destinado ao pagamento do ISSQN, imposto municipal, que é recolhido pela Nascentes das Gerais e beneficia 17 municípios atravessados pela MG-050, menos Passos. A grana deve estar indo para o rio Conquista. (Ver site da concessionária: WWW.nascentesnet.com.br, nos links: FAQ – onde há praças de pedágios? e Obras e Investimentos – cidades beneficiadas com ISS). 


Em 5 anos de cobrança de pedágio somente 10 dos 406 km foram duplicados.


Trevo na entrada de Passos (Av. Arlindo Figueiredo), o mais perigoso de Minas ou, como diria um nosso Ex-governador, cuíca do Brasil.