Encontrei um velho
conhecido, o Crentinho. Sectário ao extremo, Crentinho defende seus ídolos com
os argumentos mais estrambóticos, sem nem corar. Meio parecido com a Velhinha de Taubaté,
mas, muito mais veemente e muitíssimo mais.... (Vocês perceberão no desenrolar
do papo abaixo transcrito).
- “Fiquei sabendo que ocê tá sem candidato a Prefeito”,
disse-me Crentinho, antes mesmo de dizer bom-dia.
- Estou, o meu amarelou e foi ser cachorro na vida, respondi,
confesso que com um ar de desconsolo.
- “Então vota no meu; é o melhor de todos e já provou que é”.
- Qual é o seu?
- “O Tatá”, disse Crentinho, com o peito estufado e um
sorriso maroto, que só ele sabe dar quanto acha que está com a faca e o queijo
na mão.
- Tatá? Não conheço!
- “Desculpa a intimidade, mas é o nome que a gente chamava
ele quando menino lá na rua dos Brandões”.
- Ih, já sei! Corta essa; esse eu conheço; teve sua chance;
começou uma porção de coisas e não terminou nada. Tchau, sem papo!
- “Pera aí, que vou te
provar que ele é o melhor!”.
Curioso, “perei”. Começou então a desfiar um punhado de obras
executadas por seu candidato, provando que político brasileiro só pensa em
fazer obras, mesmo que desnecessárias.
- “Construiu a Upa e
terminou, ‘viu”!
- Foi a única, concordo, disse-lhe, mas no lugar errado, lá
no fim do mundo, quase no meio do pasto.
- “Mas, tem uma explicação pro local e ocê já deu a pista:
quando o deputado de fora ... esqueci o nome dele... aquele que tem a
“sombramcelha” parecida com taturana e que tá mandando em Passos agora...
ofereceu a verba pra Upa, Tatá pensou que era coisa pra cavalo... lembra da música:
Upa, upa, upa. Cavalinho alazão... e, pra facilitar pros bichos, escolheu
construir o trem lá perto do pasto, ‘viu!”.
- Corta essa,
Crentinho. Vamos a outras obras. A ETE e a nova ETA estavam com os projetos
prontos e o financiamento assegurado e seu candidato começou uma, não terminou,
e não fez absolutamente nada com a outra, a ETA, mas gastou a verba toda.
- “Num vem com esses nomes complicados querendo me enrolar,
não!”. “Aquela que mexe com bosta, Tatá não sabia que era pra isso; quando
descobriu, parou a obra na hora”. “Cê acha que Tatá, um big dum político e
administrador de mão cheia ía lá mexê com merda; tem dó!”. “A da água, ele
comprou os canos e deixou tudo ajeitado; faltava o quê pra trazer água, nada!”.
“Mas, o incompetente do Prefeito que veio depois dele, e tava aí querendo ficar,
levou quatro anos pra trazer a água”. “Agora tá cantando de galo, como se fosse
ele que fez tudo, quando Tatá deixou tudo mastigadinho pra ele”.
- “Quer mais?,
continuou Crentinho: ” “Tatá construiu a ponte do Glória; fez o Hospital do Câncer;
construiu aquela casaiada toda lá pros lados da Penha; no pouco tempo que
trabaiou no DER, consertou a rodovia MG-050 de cabo a rabo e fez duas pistas na
parte que atravessa Paraíso, pra não dá cartaz pro incompetente Prefeito daqui;
salvou a Coperativa de quebrar e muito mais que nem lembro”. “E tem mais; é
sócio da Perdigão e agora que fez um acordo com o Lula, homem do sindicato como
ele, muito antes do Maluf, é amigão do Governador de Minas e do futuro
Presidente Aécio e é assim com Dilma, imagina o que ele não vai fazer nos oito
anos que vem por aí, porque a reeleição tá garantida”.
- Espera aí,
Crentinho, vamos parar por aí, senão daqui a pouco você vai dizer que foi ele
que fez a barragem de Furnas.
-“Uai, pensei que ocê sabia que foi ele que tinha
construído a usina toda quase que sozinho, tendo que carregar um bando de
funcionários incompetentes nas costas, que agora tão puraí, gordinhos, com uma
baita de uma aposentadoria que o Tatá arranjou preles”.
Pano rápido, por favor, que o trem tá ficando
feio!