segunda-feira, 30 de julho de 2012

IBITATÁ IMITADA


São Paulo, uma das maiores cidades do mundo se rende aos usos e costumes de Passos ou Ibitatá, não sei.
   Só sei que na madrugada de segunda, copiando nossa urbe, alguns paulistanos tocaram fogo em dois ônibus que circulavam pela na Avenida Dr. Roberto Irineu Marinho, zona sul da capital paulista.
   Felizmente São Paulo foi fundada por jesuítas e não por invernistas de gado; assim sendo, espera-se, ficará livre da Maldição do Fogo, que nos azucrina há séculos. 

domingo, 29 de julho de 2012

A MALDIÇÃO DO FOGO


  Passos poderia trocar seu nome para Ibitatá e assim tentar cortar essa maldição que a acompanha há séculos. O nome é derivado do Tupi: Ibi, terra; Tatá, fogo (Dicionário Tupi-Português de Luiz Caldas Tibiriçá),
   A primeira atividade desenvolvida na região, a pecuária de invernada, que se expandiu “alargando as pastagens pela derrubada de matas virgens, em cujas queimadas era semeado o capim gordura” (Joaquim Gomes de Souza Lemos, Álbum de Passos de 1.920), foi a culpada pelo início dessa maldição.
   Conta-se que, nos primórdios de sua existência, ainda como Arraial, a maioria de seus habitantes fazia uso exagerado e costumeiro da boa cachaça aqui fabricada, adubando a maldição.    
   O uso da cachaça era tão intenso e difundido que deixou uma carga genética que até hoje, depois de séculos, pode ser observada. Temos um dos maiores índices de consumo de cerveja per capita do país, alimentando a maldição.
   Desde a inauguração da primeira usina de açúcar no município, o povo pacato e ordeiro daqui, submisso aos seus dirigentes públicos, que não tomam providências para livrá-lo desse incômodo recorrente, é obrigado a conviver com a imundície provocada pela queima deliberada dos canaviais no seu entorno.
   Recentemente um fato inusitado foi observado em nossa cidade. Tocaram fogo num ônibus estacionado ao lado de um conhecido Hotel e bem próximo de uma das mais movimentadas avenida passense, sem nenhum motivo que justificasse tamanha barbárie.
   Parece que essa nossa secular relação com o fogo de todos os tipos, fogo nas matas, ainda que virgens; fogo da cachaça, ainda que gostoso; fogo da cerveja, ainda que não muito gelada; fogo na cana, ainda que evitável e fogo no ônibus, ainda que inexplicável, transformou-se nessa maldição que nos acompanha.
   Talvez a mudança do nome ajude-nos a ficar livres da terrível maldição. Aos que não tiverem fé na mudança sugerida, por causa do fogo que acompanha o novo nome, sugiro outro: Ibimirim de Minas, porque existe uma cidade de mesmo nome no estado de Pernambuco. No mínimo este nome ficaria proporcional aos dirigentes públicos que temos por aqui. A propósito, mirim em tupi significa pequeno.

OLIM PIADAS


  Paul McCartney encerrou a festa de abertura das Olimpíadas de Londres. Emocionou a todos com a música mundialmente conhecida dos Beatles, "Hey Jude".
 Se de hoje até quatro anos a música brasileira mundialmente conhecida continuar sendo a mesma atual, teremos, no encerramento da abertura das Olimpíadas do Rio, o Michel Teló cantando e dançando seu estrondoso sucesso: “Assim você me mata”.
        

sexta-feira, 27 de julho de 2012

ETA NOS RUINS DE RODA


   As grandes organizações nacionais e internacionais, tais como Casas Bahia, Americanas, Walmart, Bretas Supermercados, já perceberam o potencial de nossa cidade e estão aqui se instalando.
   Nós não! Continuamos míopes, quase cegos, elegendo dirigentes e representantes públicos municipais despreparados, incompatíveis com o potencial promissor que temos e que poderá se perder, dependendo de quem elegermos para dirigir nossa cidade nos próximos quatro anos.
   Essas grandes organizações se instalam numa determinada cidade com pequenos investimentos em comparação com o seu porte, depois de estudos de viabilidade baseados em indicadores econômicos e sociais, que nem sempre refletem as incompetências da Administração Pública local. Mas, se isso atrapalhar no futuro, se mandam na mesma velocidade com que vieram. O Carrefour se mandou da Grécia em crise semanas atrás.
   Para evitar novos “já teve” precisamos escolher para Prefeito alguém com comprovada capacidade gerencial para tirar do atoleiro grandes e importantes organizações, algo que jamais conseguimos ter, nos tempos modernos, a frente de nossa Prefeitura. Não podemos mais repetir administrações desastradas ou desastrosas, capitaneadas por gestores despreparados, inapetentes ou mal intencionados, e nem arriscarmos com candidatos novatos, sabidamente sem o preparo necessário, sob pena de nos transformamos na cidade que poderia ter sido e não foi.
   Vejo hoje três pessoas que já provaram ter capacidade para assumir esse grande desafio. Em ordem alfabética: Fábio Pimenta Esper Kallas (FESP), José Eustáquio do Nascimento (Crediacip) e Leonardo Medeiros (Casmil). Somente um deles havia se declarado candidato, facilitando minha escolha.
   Agora, um boato que ecoava por aqui há semanas é confirmado. Não é que o meu promissor ex-candidato resolveu pegar um atalho, atalho esse de difícil caminhada, que o levará a entrar pela porta dos fundos ou pelo cano, dependendo do andamento e dos resultados de inúmeros processos judiciais que correm (ou se arrastam?) na justiça.

Departamento de Transe de Passos


    A Rua Dr. Manoel Patti tem mão única da Dr. João Bráulio até a Cel. João de Barros. Daí até à Avenida da Moda, inexplicavelmente, passa a ter mão dupla. E, para tornar mais complicado ainda a compreensão da aberração, depois da Avenida da Moda ela volta a ter mão única de novo.
    No trecho de mão dupla ela mede uns 7 metros de largura, tem estacionamento permitido em ambos os lados, é rota dos ônibus do transporte coletivo e, recentemente, a Prefeitura, seguramente com o aval do Departamento de Transe, deu alvará pra funcionamento de um Restaurante Fast-food. Além de tudo isso, os motoristas, quando sobem, são obrigados a fazer uma perigosa conversão à esquerda na esquina com a Cel. João de Barros, cruzando à frente de quem desce.
   Em nome da segurança e do bom senso, o Departamento de Transe ou bem implanta mão única no citado trecho ou bem proíbe estacionar num dos lados.
   Mudando o sentido de direção e abstraindo o transporte coletivo, a conversão perigosa e o restaurante, as observações acima valem também para a Rua Elvira Silveira Coimbra.
   Não dá pra atender. Será esquecimento, falta de verba pra sinalização ou picuinha com algum morador do pedaço?
Marcílio Padino.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

CERQUINHA


Deu na Coluna “Deputado Antônio Carlos Arantes” da Folha da Manhã, vulgo “Informes”, sábado passado, que um indiciado falsificador, partidário do candidato a Prefeito de Passos, Taíde V, chamou de “cerquinha” o cercamento do Parque Dr. Emílio Piantino. Dá raiva.
   Isto mostra o nível em que chegamos na política passense de uns tempos pra cá. O poder público municipal cria, mas não toma conta. Quando alguma entidade séria se propõe a cuidar do que foi criado e está abandonado, os cupinchas que pululam em torno do poder vêm a público dizer asneiras, tentando desmerecer a grata iniciativa para agradar ao seu amo. Dá desesperança.
   Era de se esperar. Não querendo parecer elitista, mas, talvez já parecendo, recordo-me de que, num passado não muito distante, os nossos representantes eram o Doutor Fulano, o Fazendeiro sicrano, o Comerciante beltrano e o Sapateiro bom profissional. Faziam um trabalho de bom nível e não ganhavam um tostão sequer para nos representar. Dá saudade do passado.
   Hoje, Dedinho, Mãozinha, Boquinha, Beicinho e outros “inhos”, ganhando um salário-hora trabalhada de fazer inveja ao Eike Batista, só fazem merda, ou melhor, não fazem nem isso; fazem nada. Duvido que os atuais candidatos brigariam por uma vaga, se o penoso “trabalho” fosse sem paga.  Dá medo do futuro.  
Marcílio Padino.

TATAÍSMO

   Encontrei um velho conhecido, o Crentinho. Sectário ao extremo, Crentinho defende seus ídolos com os argumentos mais estrambóticos, sem nem corar. Meio parecido com a Velhinha de Taubaté, mas, muito mais veemente e muitíssimo mais.... (Vocês perceberão no desenrolar do papo abaixo transcrito).
- “Fiquei sabendo que ocê tá sem candidato a Prefeito”, disse-me Crentinho, antes mesmo de dizer bom-dia.
- Estou, o meu amarelou e foi ser cachorro na vida, respondi, confesso que com um ar de desconsolo.
- “Então vota no meu; é o melhor de todos e já provou que é”.
- Qual é o seu?
- “O Tatá”, disse Crentinho, com o peito estufado e um sorriso maroto, que só ele sabe dar quanto acha que está com a faca e o queijo na mão.
- Tatá? Não conheço!
- “Desculpa a intimidade, mas é o nome que a gente chamava ele quando menino lá na rua dos Brandões”.
- Ih, já sei! Corta essa; esse eu conheço; teve sua chance; começou uma porção de coisas e não terminou nada. Tchau, sem papo!
 - “Pera aí, que vou te provar que ele é o melhor!”.
     Curioso, “perei”.  Começou então a desfiar um punhado de obras executadas por seu candidato, provando que político brasileiro só pensa em fazer obras, mesmo que desnecessárias.
 - “Construiu a Upa e terminou, ‘viu”!
- Foi a única, concordo, disse-lhe, mas no lugar errado, lá no fim do mundo, quase no meio do pasto.
- “Mas, tem uma explicação pro local e ocê já deu a pista: quando o deputado de fora ... esqueci o nome dele... aquele que tem a “sombramcelha” parecida com taturana e que tá mandando em Passos agora... ofereceu a verba pra Upa, Tatá pensou que era coisa pra cavalo... lembra da música: Upa, upa, upa. Cavalinho alazão... e, pra facilitar pros bichos, escolheu construir o trem lá perto do pasto, ‘viu!”.
 - Corta essa, Crentinho. Vamos a outras obras. A ETE e a nova ETA estavam com os projetos prontos e o financiamento assegurado e seu candidato começou uma, não terminou, e não fez absolutamente nada com a outra, a ETA, mas gastou a verba toda.
- “Num vem com esses nomes complicados querendo me enrolar, não!”. “Aquela que mexe com bosta, Tatá não sabia que era pra isso; quando descobriu, parou a obra na hora”. “Cê acha que Tatá, um big dum político e administrador de mão cheia ía lá mexê com merda; tem dó!”. “A da água, ele comprou os canos e deixou tudo ajeitado; faltava o quê pra trazer água, nada!”. “Mas, o incompetente do Prefeito que veio depois dele, e tava aí querendo ficar, levou quatro anos pra trazer a água”. “Agora tá cantando de galo, como se fosse ele que fez tudo, quando Tatá deixou tudo mastigadinho pra ele”.
   - “Quer mais?, continuou Crentinho: ” “Tatá construiu a ponte do Glória; fez o Hospital do Câncer; construiu aquela casaiada toda lá pros lados da Penha; no pouco tempo que trabaiou no DER, consertou a rodovia MG-050 de cabo a rabo e fez duas pistas na parte que atravessa Paraíso, pra não dá cartaz pro incompetente Prefeito daqui; salvou a Coperativa de quebrar e muito mais que nem lembro”. “E tem mais; é sócio da Perdigão e agora que fez um acordo com o Lula, homem do sindicato como ele, muito antes do Maluf, é amigão do Governador de Minas e do futuro Presidente Aécio e é assim com Dilma, imagina o que ele não vai fazer nos oito anos que vem por aí, porque a reeleição tá garantida”.
   - Espera aí, Crentinho, vamos parar por aí, senão daqui a pouco você vai dizer que foi ele que fez a barragem de Furnas.
   -“Uai, pensei que ocê sabia que foi ele que tinha construído a usina toda quase que sozinho, tendo que carregar um bando de funcionários incompetentes nas costas, que agora tão puraí, gordinhos, com uma baita de uma aposentadoria que o Tatá arranjou preles”.
   Pano rápido, por favor, que o trem tá ficando feio!