Peço desculpas a
todos por bater na mesma tecla. Não resisto assistir calado que, conterrâneos
meus, travestidos em Velhinha de Taubaté, acreditem cegamente nas promessas vãs
dos políticos pátrios. Sem exceção, nossos políticos desprezam solenemente a
ferramenta mais importante de gestão pública: o planejamento, principalmente o
financeiro. Aliás, pra ser justo, essa características é da grande maioria do
povo brasileiro. O importante é o presente; o passado todos esquecem; o futuro,
a Deus pertence.
Em recente
encontro com autoridades passenses em Belzonte, o secretário Nárcio Rodrigues
garantiu, usando até de redundância, que a estadualização da FESP era
irreversível, não tinha volta. Confirmando em seguida que, até o final deste
mês, o governador resolveria a questão.
O secretário, sem
se comprometer, disse o óbvio para nossas autoridades. A estadualização,
obviamente, é irreversível. Para reverte-la há que se alterar a Constituição do
Estado de Minas Gerais. E resolver é decidir. Decidir é fazer ou não fazer. É
igual à virgindade, coisa importante no meu tempo: ou é ou não é. Não existe
meia virgindade.
Não se pode
esquecer que a estadualização de fato precisa de grana, muita grana. Muito mais
do que os 80 milhões que imaginei necessários para este ano; esqueci-me das
indenizações que terão que ser pagas a todos os funcionários das fundações, que
serão dispensados e readmitidos em seguida nos quadros provisórios do estado.
O Secretário do
Planejamento, o homem que sabe se tem ou não tem grana, deu a pista. Deixou
vazar que tem várias alternativas pra pagar a conta da estadualização das três
maiores fundações. A alternativa mais viável é a que dá um jeito de vincular as
despesas deste ano para o próximo exercício orçamentário.
Dúvidas do macaco
(o macaco sou eu). O próximo exercício orçamentário é o do ano que vem, com
novo governador que ninguém sabe quem será e pode alterar o orçamento em função
de suas prioridades? Os decretos que serão assinados, com certeza em pomposas
cerimônias, em Ibitatá com foguete a dar com pau, são os da estadualização
mesmo?
Se as respostas
para as dúvidas do macaco forem “sim”, sem revogar artigos da lei de
estadualização, difícil de ser feita porque a Assembleia estará de recesso,
será uma estadualização meia boca e ilegal. No momento em que os decretos forem
assinados, segunda a lei (Art.7º §5º), os alunos deixarão de pagar as mensalidades,
inviabilizando o funcionamento das fundações por falta de grana.
A não ser que
tais decretos, despistadamente, não sejam os da estadualização, mas os da
enganação. Um amigo, conhecedor da alma dos políticos pátrios, me disse: não
estressa, político tem jeitinho pra tudo.





