terça-feira, 18 de março de 2014

O gato subiu no telhado.


     Peço desculpas a todos por bater na mesma tecla. Não resisto assistir calado que, conterrâneos meus, travestidos em Velhinha de Taubaté, acreditem cegamente nas promessas vãs dos políticos pátrios. Sem exceção, nossos políticos desprezam solenemente a ferramenta mais importante de gestão pública: o planejamento, principalmente o financeiro. Aliás, pra ser justo, essa características é da grande maioria do povo brasileiro. O importante é o presente; o passado todos esquecem; o futuro, a Deus pertence.
     Em recente encontro com autoridades passenses em Belzonte, o secretário Nárcio Rodrigues garantiu, usando até de redundância, que a estadualização da FESP era irreversível, não tinha volta. Confirmando em seguida que, até o final deste mês, o governador resolveria a questão.
     O secretário, sem se comprometer, disse o óbvio para nossas autoridades. A estadualização, obviamente, é irreversível. Para reverte-la há que se alterar a Constituição do Estado de Minas Gerais. E resolver é decidir. Decidir é fazer ou não fazer. É igual à virgindade, coisa importante no meu tempo: ou é ou não é. Não existe meia virgindade.
     Não se pode esquecer que a estadualização de fato precisa de grana, muita grana. Muito mais do que os 80 milhões que imaginei necessários para este ano; esqueci-me das indenizações que terão que ser pagas a todos os funcionários das fundações, que serão dispensados e readmitidos em seguida nos quadros provisórios do estado.
     O Secretário do Planejamento, o homem que sabe se tem ou não tem grana, deu a pista. Deixou vazar que tem várias alternativas pra pagar a conta da estadualização das três maiores fundações. A alternativa mais viável é a que dá um jeito de vincular as despesas deste ano para o próximo exercício orçamentário.
     Dúvidas do macaco (o macaco sou eu). O próximo exercício orçamentário é o do ano que vem, com novo governador que ninguém sabe quem será e pode alterar o orçamento em função de suas prioridades? Os decretos que serão assinados, com certeza em pomposas cerimônias, em Ibitatá com foguete a dar com pau, são os da estadualização mesmo?
     Se as respostas para as dúvidas do macaco forem “sim”, sem revogar artigos da lei de estadualização, difícil de ser feita porque a Assembleia estará de recesso, será uma estadualização meia boca e ilegal. No momento em que os decretos forem assinados, segunda a lei (Art.7º §5º), os alunos deixarão de pagar as mensalidades, inviabilizando o funcionamento das fundações por falta de grana.

     A não ser que tais decretos, despistadamente, não sejam os da estadualização, mas os da enganação. Um amigo, conhecedor da alma dos políticos pátrios, me disse: não estressa, político tem jeitinho pra tudo. 


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