segunda-feira, 10 de março de 2014

Mensalão do PT e o “mensalão” tucano.

Escrevi recentemente aqui neste espaço que o dinheiro para abastecer os caixas dois das campanhas eleitorais era uma necessidade sazonal, porque as eleições aconteciam de dois em dois anos. O PT inovou, transformando uma necessidade sazonal em permanente. Para economia de espaço, no caixa dois está incluída a grana que vai para os bolsos dos políticos.
Tudo começou antes da campanha eleitoral de 2001. Lula, cansado de perder, determinou que se fizesse de um tudo pra ganhar as eleições. Contratou o melhor marqueteiro: Duda Mendonça. Como isso significava necessidade de muita grana, buscou aqui nas Minas Gerais o mais experiente coordenador de arrecadação de fundos eleitorais: Marcos Valério.
     Lula foi eleito Presidente da República e, para mostrar que o PT era diferente, decidiu que o PMDB não faria parte da base de seu governo. Pela primeira vez, desde o descobrimento do Brasil, o PMDB ficaria fora do governo federal.
     Mas, o PT sozinho não tinha a maioria no congresso para garantir a governabilidade. Lula buscou pequenos partidos para compor a base de seu governo, junto com o PT. Ledo e fatal engano. Os pequenos partidos disponíveis, abrigo dos mais sagazes malandros da política partidária deste país, não tinham e não têm quadros dirigentes para assumir um ministério, nem mesmo uma grande estatal, como o PMDB tinha e continua tendo.
     A grana, para manter a aliança, que o PMDB tirava e tira, espertamente, dos ministérios que ocupa, tinha que vir direto da fonte para os bolsos da malandragem. Para piorar, o apoio dos pequenos partidos não era permanente, mas sazonal, a cada votação importante. Resolveu-se o problema botando em campo a equipe de Marcos Valério para arranjar a grana cotidianamente, tornando o caixa dois permanente.
     Como na política deste país cada um conhece as malandragens dos outros, mas não denuncia, guardando o segredo pra usar na hora mais oportuna, o PMDB, então desconfortável como oposição, pra voltar a mamar (como voltou depois do escândalo), dedurou sutilmente o esquema, que foi apelidado de mensalâo, por causa da frequência dos pagamentos.
    Por um erro de Lula, ao não ter cuidado na escolha, quando nomeou o primeiro negro (será que vai dar rolo? É melhor mudar)... o primeiro afrodescendente para o STF, imaginando, preconceituosamente, que ele seria subserviente a quem o nomeou, deu no que está dando: altas patentes e aliados do PT atrás das grades, por causa do mensalão.
    O PT contra-atacou para mostrar que os partidos são todos iguais e que, por isso, os petistas presos foram sacaneados pelo STF. Buscou na campanha eleitoral de 1998, quando Eduardo Azeredo se elegeu governador de Minas e Marcos Valério era o coordenador de arrecadação de fundos para a campanha, o pecado tucano, que, aliás, é de todos os partidos.
     Espertamente, num eficiente ato de marquetagem, Lula e o PT transformaram um caixa dois sazonal em permanente, dando-lhe o nome de mensalão tucano, também denominado mensalão mineiro e tucanoduto. Podem ter dado um tiro no pé (Amém!!!). Os tucanos, na defesa de Azeredo, irão, seguramente, mostrar essa diferença gritante. Diferença, é bom que se diga, de sazonalidade e de propósitos, mas ambas, procedimentos ilegais, com o uso de dinheiro público.

     Espero que haja bastante publicidade em torno dessa questão. Servirá pra desnudar essa grande sacanagem nacional, perpetrada pelos políticos. “Desnudar pra que?”, perguntaria Ferrando, se pudesse. “Pra nada!!!”, responderia ele mesmo. 


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