Escrevi
recentemente aqui neste espaço que o dinheiro para abastecer os caixas dois das
campanhas eleitorais era uma necessidade sazonal, porque as eleições aconteciam
de dois em dois anos. O PT inovou, transformando uma necessidade sazonal em
permanente. Para economia de espaço, no caixa dois está incluída a grana que
vai para os bolsos dos políticos.
Tudo começou antes
da campanha eleitoral de 2001. Lula, cansado de perder, determinou que se
fizesse de um tudo pra ganhar as eleições. Contratou o melhor marqueteiro: Duda
Mendonça. Como isso significava necessidade de muita grana, buscou aqui nas
Minas Gerais o mais experiente coordenador de arrecadação de fundos eleitorais:
Marcos Valério.
Lula foi eleito
Presidente da República e, para mostrar que o PT era diferente, decidiu que o
PMDB não faria parte da base de seu governo. Pela primeira vez, desde o descobrimento
do Brasil, o PMDB ficaria fora do governo federal.
Mas, o PT sozinho não tinha a maioria no
congresso para garantir a governabilidade. Lula buscou pequenos partidos para
compor a base de seu governo, junto com o PT. Ledo e fatal engano. Os pequenos
partidos disponíveis, abrigo dos mais sagazes malandros da política partidária
deste país, não tinham e não têm quadros dirigentes para assumir um ministério,
nem mesmo uma grande estatal, como o PMDB tinha e continua tendo.
A grana, para
manter a aliança, que o PMDB tirava e tira, espertamente, dos ministérios que
ocupa, tinha que vir direto da fonte para os bolsos da malandragem. Para
piorar, o apoio dos pequenos partidos não era permanente, mas sazonal, a cada
votação importante. Resolveu-se o problema botando em campo a equipe de Marcos
Valério para arranjar a grana cotidianamente, tornando o caixa dois permanente.
Como na política deste país cada um conhece
as malandragens dos outros, mas não denuncia, guardando o segredo pra usar na
hora mais oportuna, o PMDB, então desconfortável como oposição, pra voltar a mamar
(como voltou depois do escândalo), dedurou sutilmente o esquema, que foi
apelidado de mensalâo, por causa da frequência dos pagamentos.
Por um erro de
Lula, ao não ter cuidado na escolha, quando nomeou o primeiro negro (será que
vai dar rolo? É melhor mudar)... o primeiro afrodescendente para o STF,
imaginando, preconceituosamente, que ele seria subserviente a quem o nomeou,
deu no que está dando: altas patentes e aliados do PT atrás das grades, por
causa do mensalão.
O PT contra-atacou
para mostrar que os partidos são todos iguais e que, por isso, os petistas
presos foram sacaneados pelo STF. Buscou na campanha eleitoral de 1998, quando
Eduardo Azeredo se elegeu governador de Minas e Marcos Valério era o
coordenador de arrecadação de fundos para a campanha, o pecado tucano, que,
aliás, é de todos os partidos.
Espertamente, num eficiente ato de
marquetagem, Lula e o PT transformaram um caixa dois sazonal em permanente, dando-lhe
o nome de mensalão tucano, também denominado mensalão mineiro e tucanoduto. Podem
ter dado um tiro no pé (Amém!!!). Os tucanos, na defesa de Azeredo, irão,
seguramente, mostrar essa diferença gritante. Diferença, é bom que se diga, de
sazonalidade e de propósitos, mas ambas, procedimentos ilegais, com o uso de
dinheiro público.
Espero que haja bastante publicidade em
torno dessa questão. Servirá pra desnudar essa grande sacanagem nacional,
perpetrada pelos políticos. “Desnudar pra que?”, perguntaria Ferrando, se
pudesse. “Pra nada!!!”, responderia ele mesmo.