segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A culpa sempre é dos outros.


    Deu no Informes da Folha da Manhã. A Secretaria Municipal de Saúde de Passos está reclamando da atuação da Regional de Saúde. Inclusive quanto ao fornecimento de medicamentos de responsabilidade do estado.     
    Disseram que o órgão regional prioriza o fornecimento de medicamentos para alguns municípios, principalmente São Sebastião do Paraíso. Isso porque a gerente do tal órgão foi indicada pelos deputados Carlos Melles e Antônio Carlos Arantes, donos do pedaço.
    Como não tenho ouvido e nem visto nada sobre falta de medicamentos, parece-me que a reclamação da Secretaria de Saúde de Passos é uma “vacina”, criação dos marqueteiros para antecipar respostas a futuros problemas. Assim, qualquer problema futuro na distribuição de medicamentos por aqui, a culpa será do Melles e do Arantes.
    Uma historieta que ilustra a gênese politiqueira do problema da distribuição de medicamentos em nossa urbe. Até meados da gestão passada, a distribuição de medicamentos estava um caos, gerando fartas reclamações da população, diariamente publicadas no jornal local.
    O prefeito de então inovou. Ao invés de trocar o responsável pelo setor, indicado por correligionários, por outro de mesma origem, contratou um profissional da área, sem nenhuma ligação política ou com políticos. Um técnico com experiência comprovada na matéria para gerenciar o setor, que, além do mais, era honesto.
     O técnico fez um levantamento dos problemas e definiu as medidas necessárias para saná-los. Mudança para um local mais amplo para ter espaço adequado para a dispensação dos medicamentos e conforto para os usuários; implantação da reposição de medicamentos baseada na política de estoques máximos e mínimos; treinamento dos atendentes e, paralelamente, sugeriu às farmácias e drogarias, principalmente as dos bairros mais distantes, que implantassem a Farmácia Popular, para diminuir o afluxo de pessoas ao setor da prefeitura.
    Para resolver o “problema com Melles”, fez contato a gerente da Regional de Saúde, que é a mesma até hoje, estabelecendo procedimentos que facilitassem o trabalho de ambos.  Daí em diante, as reclamações fartas e diárias desapareceram. E olha que o prefeito pertencia a partido que não era da base aliada do governo de minas.

    No início da gestão atual, um porta-voz do novo prefeito encontrou-se com o técnico e, sem que este nada lhe perguntasse ou pedisse, foi logo dizendo: “sabemos que fez um bom trabalho, mas, por causa do seu sogro, você não irá permanecer na nossa administração”. Fiquei sabendo do ocorrido, chamei o técnico e fui logo dizendo: “apesar de ser você dos meus genros o que eu mais gosto, se for de seu interesse, fique à vontade pra trocar de sogro ou renegá-lo; compreenderei”. Ele não me ouviu e foi trabalhar em outra freguesia, com a consciência tranquila do dever cumprido.  



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