Deu no Informes da
Folha da Manhã. A Secretaria Municipal de Saúde de Passos está reclamando da
atuação da Regional de Saúde. Inclusive quanto ao fornecimento de medicamentos
de responsabilidade do estado.
Disseram que o
órgão regional prioriza o fornecimento de medicamentos para alguns municípios,
principalmente São Sebastião do Paraíso. Isso porque a gerente do tal órgão foi
indicada pelos deputados Carlos Melles e Antônio Carlos Arantes, donos do
pedaço.
Como não tenho ouvido
e nem visto nada sobre falta de medicamentos, parece-me que a reclamação da
Secretaria de Saúde de Passos é uma “vacina”, criação dos marqueteiros para
antecipar respostas a futuros problemas. Assim, qualquer problema futuro na
distribuição de medicamentos por aqui, a culpa será do Melles e do Arantes.
Uma historieta que
ilustra a gênese politiqueira do problema da distribuição de medicamentos em nossa
urbe. Até meados da gestão passada, a distribuição de medicamentos estava um
caos, gerando fartas reclamações da população, diariamente publicadas no jornal
local.
O prefeito de então inovou. Ao invés de
trocar o responsável pelo setor, indicado por correligionários, por outro de
mesma origem, contratou um profissional da área, sem nenhuma ligação política
ou com políticos. Um técnico com experiência comprovada na matéria para
gerenciar o setor, que, além do mais, era honesto.
O técnico fez um
levantamento dos problemas e definiu as medidas necessárias para saná-los.
Mudança para um local mais amplo para ter espaço adequado para a dispensação
dos medicamentos e conforto para os usuários; implantação da reposição de medicamentos
baseada na política de estoques máximos e mínimos; treinamento dos atendentes e,
paralelamente, sugeriu às farmácias e drogarias, principalmente as dos bairros
mais distantes, que implantassem a Farmácia Popular, para diminuir o afluxo de
pessoas ao setor da prefeitura.
Para resolver o “problema
com Melles”, fez contato a gerente da Regional de Saúde, que é a mesma até
hoje, estabelecendo procedimentos que facilitassem o trabalho de ambos. Daí em diante, as reclamações fartas e diárias
desapareceram. E olha que o prefeito pertencia a partido que não era da base
aliada do governo de minas.
No início da gestão atual, um porta-voz do
novo prefeito encontrou-se com o técnico e, sem que este nada lhe perguntasse
ou pedisse, foi logo dizendo: “sabemos que fez um bom trabalho, mas, por causa
do seu sogro, você não irá permanecer na nossa administração”. Fiquei sabendo
do ocorrido, chamei o técnico e fui logo dizendo: “apesar de ser você dos meus
genros o que eu mais gosto, se for de seu interesse, fique à vontade pra trocar
de sogro ou renegá-lo; compreenderei”. Ele não me ouviu e foi trabalhar em
outra freguesia, com a consciência tranquila do dever cumprido.


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