Quando o golpe militar
de 1964 eclodiu, eu era estudante do quarto ano de engenharia em Belzonte. Sou
contemporâneo do golpe e de seus desdobramentos. Imaginei, então, que sabia
tudo sobre esse período negro da história brasileira.
Não é que dias
atrás li surpreso que o ex-presidente Lula havia sido preso e torturado durante
o regime militar. Curioso e, ao mesmo tempo, penalizado, fui pesquisar.
Comecei, obviamente, pelo chamado “anos de chumbo” (1968 – 1974), quando a
ditadura endureceu pra valer, prendendo, torturando e matando os considerados
adversários do regime. Nada sobre Lula.
Somente encontrei notícia do Lula preso no
DOPS entre 19 de abril e 20 de maio de 1980, época da distensão lenta, gradual
e segura de Geisel, quando a ditadura estava mais mole. Mas, pra maior
surpresa, encontrei também um vídeo, com entrevista do próprio Lula, narrando
sua vida durante esse período de prisão. É de estarrecer a narrativa do
ex-presidente sobre suas condições de prisioneiro da ditadura.
Acho que é
extremamente importante ver essa entrevista. Ela demonstra com clareza e com
crueza a gênese de nossa atual situação. Inclusive, esclarece a recente
entrevista de Lula à televisão portuguesa, quando diz que dos mensaleiros
presos pertencentes ao PT (José Dirceu, João Paulo Cunha, José Genuíno e
Delúbio), nenhum é pessoa de sua confiança. Vendo o vídeo verão que o problema que nos aflige hoje é uma
questão de caráter e de ética.
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