segunda-feira, 10 de março de 2014

Imprudência ou desconhecimento?

     - “Semana passada, iniciamos uma rotina de reuniões semanais de trabalho em Belo Horizonte, para abastecer o governo das INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS, principalmente sobre o TAMANHO das escolas de Passos, Divinópolis e Ituiutaba”. (Prof. Fábio Kallas, respondendo pergunta do colunista do Jornal Gente).
     - ”Mas, o governo ainda não sabia disso?”. Perguntou o colunista, assustado, com os olhos arregalados. (Imagem imaginada por mim, porque assim reagi ao ler a matéria).
     - “Nós temos que mostrar ao governo que estas escolas têm um porte BEM MAIOR que as cinco já estadualizadas...”, complementou o Professor. Ou, resumindo com objetividade: Não, o governo ainda não sabia disso.
     Parte de texto copiado do Facebook, atribuído ao Sr Nárcio Rodrigues, confirma o que disse Fábio: “...Anastasia está em viagem à China. Um dia antes de viajar, me ligou e determinou que, na sua ausência, concluíssemos - nós e a Seplag – OS ESTUDOS DO IMPACTO ORÇAMENTÁRIO da completa estadualização das Fundações”.
      Os fatos acima aconteceram faltando menos de um mês para a prometida estadualização (O Governador deixa o governo até 5 de abril próximo).  Para piorar, o PPA do Estado, revisado para 2014, não prevê estadualização alguma, impedindo que se use verba da Reserva de Contingência para esse fim. Coerentemente, o orçamento de 2014 não aloca um tostão furado sequer para estadualização de quaisquer das Fundações Associadas.
     A única grana, que poderia ser usada para esse propósito, na moita, seria os 8 milhões orçados para a distribuição de bolsas de estudo a alunos carentes das Fundações, que deixarão de ser distribuídas, caso haja a estadualização. Valor que não pagaria nem 4 meses do custo operacional previsto da FESP (27,1 milhões de reais em 2014).
     Se incluirmos nas estimativas acima as cinco pequenas fundações estadualizadas em dezembro último, os investimentos da FESP, considerando os novos cursos previstos, e as outras duas Fundações, Divinópolis e Ituiutaba, haveria a necessidade de destinar, por baixo, 80 milhões de reais no orçamento da UEMG de 2014, ou seja, 80% do orçamento dela.
     Ao levantar esses dados, além de assustado e com os olhos arregalados, meus cabelos brancos arrepiaram. Será que não há um interlocutor sequer por aqui capaz de perguntar ao governador: Excelência, onde está a grana para a estadualização das três grandes fundações?
     Se não der conta da grana, o Governador ficará ciente de que sabemos que o ato imprudente e mal planejado é de sua inteira responsabilidade, ou, se desconhecer esse pequeno detalhe orçamentário, algo admissível pela complexidade de suas atribuições, poderá rever sua promessa, para que um trabalho regional de quase meio século não seja destruído nos poucos segundos de uma assinatura precipitada.

     Pra quem já superou algumas estadualizações frustradas da FESP e espera há um quarto de século que isso aconteça, não custa aguardar pelo próximo governo, que nem sabemos qual será, daqui a menos de um ano. Estadualizar com calma e responsabilidade, cumprindo todos os rituais orçamentários, para garantir a continuidade e a qualidade das fundações estadualizadas, qualquer que seja o próximo governo. Queremos a FESP estadualizada, mas não podemos aceitar uma estadualização meia boca, que irá sucatea-la.

PS: Os destaques no texto em letras maiúsculas são meus e os dados foram obtidos nos sites das fundações e no orçamento do Estado.





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