Dizem que existem
coisas que só acontecem em Passos, Londres e Sucupira. Tinha dúvidas quanto a
isso, porque somente Londres tem o famoso “Fog”, conhecido nevoeiro que
acontece com certa frequência na capital inglesa.
Recentemente,
Passos deu um passo à frente em direção a Londres, deixando Sucupira pra trás.
As queimadas programadas nos canaviais do entorno da zona urbana, método
arcaico usado por aqui pra facilitar o corte da cana, além da sujeira que
provocam, estão deixando no ar uma névoa cinza-escura. O fog passense.
Nosso fog lembra
mais os ares de Londres em dezembro de 1952, quando do Big Smoke, mistura do
fog londrino tradicional e natural com a poluição causada pela queima de carvão
de baixa qualidade para aquecimento, que causou a morte de 12.000 londrinos e
deixou doentes mais de 100.000.
Nossas
otoridades, talvez ainda embevecidas pelas declarações recentes da
administração profissional da Itaiquara sobre “investimentos de 200 milhões de
reais na usina”, publicadas no prestigioso e prestigiado diário Folha da Manhã, um dia antes de começarem a tocar
fogo (grande jogada) nos canaviais próximos à cidade, se calam.
Odorico
Paraguaçu, se vivo fosse, também se calaria. Consideraria que, numa primavera
atípica, com temperaturas entre 35 e 25°C e umidade relativa do ar em torno de 25%,
5% abaixo do mínimo aceitável, com o fog sucupirano agindo, seguramente alguns
adoeceriam e, talvez, dentre estes, pelo menos um morreria, propiciando a
inauguração tão sonhada do cemitério de Sucupira.


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