Passos poderia trocar seu nome para Ibitatá e assim tentar cortar essa
maldição que a acompanha há séculos. O nome é derivado do Tupi: Ibi, terra;
Tatá, fogo (Dicionário Tupi-Português de Luiz Caldas Tibiriçá),
A primeira atividade desenvolvida na região, a pecuária de invernada,
que se expandiu “alargando as pastagens pela derrubada de matas virgens, em
cujas queimadas era semeado o capim gordura” (Joaquim Gomes de Souza Lemos,
Álbum de Passos de 1.920), foi a culpada pelo início dessa maldição.
Conta-se que, nos primórdios de sua existência, ainda como Arraial, a
maioria de seus habitantes fazia uso exagerado e costumeiro da boa cachaça aqui
fabricada, adubando a maldição.
O uso da cachaça era tão intenso e difundido que deixou uma carga
genética que até hoje, depois de séculos, pode ser observada. Temos um dos
maiores índices de consumo de cerveja per capita do país, alimentando a
maldição.
Desde a inauguração da primeira usina de açúcar no município, o povo pacato
e ordeiro daqui, submisso aos seus dirigentes públicos, que não tomam
providências para livrá-lo desse incômodo recorrente, é obrigado a conviver com
a imundície provocada pela queima deliberada dos canaviais no seu entorno.
Recentemente um fato inusitado foi observado em nossa cidade. Tocaram
fogo num ônibus estacionado ao lado de um conhecido Hotel e bem próximo de uma
das mais movimentadas avenida passense, sem nenhum motivo que justificasse tamanha
barbárie.
Parece que essa nossa secular relação com o fogo de todos os tipos, fogo
nas matas, ainda que virgens; fogo da cachaça, ainda que gostoso; fogo da
cerveja, ainda que não muito gelada; fogo na cana, ainda que evitável e fogo no
ônibus, ainda que inexplicável, transformou-se nessa maldição que nos acompanha.
Talvez a mudança do nome ajude-nos a ficar livres da terrível maldição.
Aos que não tiverem fé na mudança sugerida, por causa do fogo que acompanha o
novo nome, sugiro outro: Ibimirim de Minas, porque existe uma cidade de mesmo
nome no estado de Pernambuco. No mínimo este nome ficaria proporcional aos
dirigentes públicos que temos por aqui. A propósito, mirim em tupi significa
pequeno.
É tá difícil.
ResponderExcluirNeste fim de semana a Folha da Manhã noticiou que um camarada bebeu, brigou com a mulher e colocou fogo no quarto.
Um outro brigou com a esposa e desta vez ateou fogo na própria.
Eta vaticínio do blog!