quinta-feira, 26 de julho de 2012

TATAÍSMO

   Encontrei um velho conhecido, o Crentinho. Sectário ao extremo, Crentinho defende seus ídolos com os argumentos mais estrambóticos, sem nem corar. Meio parecido com a Velhinha de Taubaté, mas, muito mais veemente e muitíssimo mais.... (Vocês perceberão no desenrolar do papo abaixo transcrito).
- “Fiquei sabendo que ocê tá sem candidato a Prefeito”, disse-me Crentinho, antes mesmo de dizer bom-dia.
- Estou, o meu amarelou e foi ser cachorro na vida, respondi, confesso que com um ar de desconsolo.
- “Então vota no meu; é o melhor de todos e já provou que é”.
- Qual é o seu?
- “O Tatá”, disse Crentinho, com o peito estufado e um sorriso maroto, que só ele sabe dar quanto acha que está com a faca e o queijo na mão.
- Tatá? Não conheço!
- “Desculpa a intimidade, mas é o nome que a gente chamava ele quando menino lá na rua dos Brandões”.
- Ih, já sei! Corta essa; esse eu conheço; teve sua chance; começou uma porção de coisas e não terminou nada. Tchau, sem papo!
 - “Pera aí, que vou te provar que ele é o melhor!”.
     Curioso, “perei”.  Começou então a desfiar um punhado de obras executadas por seu candidato, provando que político brasileiro só pensa em fazer obras, mesmo que desnecessárias.
 - “Construiu a Upa e terminou, ‘viu”!
- Foi a única, concordo, disse-lhe, mas no lugar errado, lá no fim do mundo, quase no meio do pasto.
- “Mas, tem uma explicação pro local e ocê já deu a pista: quando o deputado de fora ... esqueci o nome dele... aquele que tem a “sombramcelha” parecida com taturana e que tá mandando em Passos agora... ofereceu a verba pra Upa, Tatá pensou que era coisa pra cavalo... lembra da música: Upa, upa, upa. Cavalinho alazão... e, pra facilitar pros bichos, escolheu construir o trem lá perto do pasto, ‘viu!”.
 - Corta essa, Crentinho. Vamos a outras obras. A ETE e a nova ETA estavam com os projetos prontos e o financiamento assegurado e seu candidato começou uma, não terminou, e não fez absolutamente nada com a outra, a ETA, mas gastou a verba toda.
- “Num vem com esses nomes complicados querendo me enrolar, não!”. “Aquela que mexe com bosta, Tatá não sabia que era pra isso; quando descobriu, parou a obra na hora”. “Cê acha que Tatá, um big dum político e administrador de mão cheia ía lá mexê com merda; tem dó!”. “A da água, ele comprou os canos e deixou tudo ajeitado; faltava o quê pra trazer água, nada!”. “Mas, o incompetente do Prefeito que veio depois dele, e tava aí querendo ficar, levou quatro anos pra trazer a água”. “Agora tá cantando de galo, como se fosse ele que fez tudo, quando Tatá deixou tudo mastigadinho pra ele”.
   - “Quer mais?, continuou Crentinho: ” “Tatá construiu a ponte do Glória; fez o Hospital do Câncer; construiu aquela casaiada toda lá pros lados da Penha; no pouco tempo que trabaiou no DER, consertou a rodovia MG-050 de cabo a rabo e fez duas pistas na parte que atravessa Paraíso, pra não dá cartaz pro incompetente Prefeito daqui; salvou a Coperativa de quebrar e muito mais que nem lembro”. “E tem mais; é sócio da Perdigão e agora que fez um acordo com o Lula, homem do sindicato como ele, muito antes do Maluf, é amigão do Governador de Minas e do futuro Presidente Aécio e é assim com Dilma, imagina o que ele não vai fazer nos oito anos que vem por aí, porque a reeleição tá garantida”.
   - Espera aí, Crentinho, vamos parar por aí, senão daqui a pouco você vai dizer que foi ele que fez a barragem de Furnas.
   -“Uai, pensei que ocê sabia que foi ele que tinha construído a usina toda quase que sozinho, tendo que carregar um bando de funcionários incompetentes nas costas, que agora tão puraí, gordinhos, com uma baita de uma aposentadoria que o Tatá arranjou preles”.
   Pano rápido, por favor, que o trem tá ficando feio!

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