Num ato
espetaculoso, como é de seu feitio, o novo morubixaba de Ibitatá, usando as
moemas de sempre como o principal componente de seu pronunciamento, também como
é de seu feitio, decretou “Estado de Emergência no
âmbito da Administração Pública Municipal”(sic).
Decretou algo que não existe na legislação pátria. Senão vejamos:
“Na esfera federal,
existem ‘estado de defesa’ e
‘estado de sitio’. O estado
de sítio é muito mais grave que o estado de defesa, e ambos só podem ser decretados pelo presidente da
República”.
“Já nas esferas estadual e municipal
existem ‘estado de calamidade pública’
e ‘situação de emergência’. A
situação de emergência é muito menos grave do que o estado de calamidade
pública”.
Situação de emergência: “o reconhecimento pelo poder público de
situação anormal, provocada por desastres, causando danos superáveis pela comunidade
afetada”.
Estado de calamidade pública: “o reconhecimento pelo poder público de situação anormal, provocada
por desastres, causando sérios
danos à comunidade afetada, inclusive à incolumidade ou à vida
de seus integrantes.”
Eles podem ser decretados tanto pelo prefeito quanto pelo governador.
O perigo. Dentre os casos de dispensa de licitação
está a EMERGÊNCIA, não claramente definida na Lei das Licitações. O Decreto do
morubixaba ibitatense tem a vigência definida em 30 dias (Segundo o Obbá
Coema). Mas, aí vem o danado do “mas”, segundo o Diário Oficial do Município, “O decreto poderá ser prorrogado por
períodos sucessivos, em prazo igual ao de agora, conforme “as necessidade da
administração pública municipal”. Ou, no popular, prorrogado a cada trinta dias
indefinidamente.
Manifestei essas preocupações para o Crentinho, alegando que, sendo o
morubixaba ibitatense useiro e vezeiro em pouco se lixar para a legislação, com
um monte de processos no lombo por causa disso, poderia com 48 prorrogações,
administrar Ibitatá do jeito que bem quisesse durante seu mandato.
Crentinho se revoltou. Vou traduzir sua revolta usando o meu palavreado.
Todos os processos foram fruto de intrigas e mentiras das oligarquias
ibitatenses inconformadas, derrotadas por Tatá em duas oportunidades. Ele não
foi condenado em nenhum processo. Além do mais, tinha a Câmara de Vereadores
sempre atenta em defesa dos interesses do povo.
Instado a explicar que povo era esse que merecia a atenção da câmara,
Crentinho se calou. Eu também.
Os Vascoli que me perdoem a rasura, mas o buraco não tem fundo.

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