O Regime Militar imposto aos brasileiros
em 1964 assassinou a democracia, extinguindo os partidos políticos. A partir de
1965, para simular a existência da assassinada para consumo externo, os
militares permitiram a criação de dois partidos políticos, sendo que nenhum
deles poderia incluir em seu nome o vocábulo “Partido”, para evitar o
renascimento dos antes existentes.
Foram criados então os partidos, Arena
(Aliança Renovadora Nacional), base de sustentação de regime militar, da qual
faziam parte lideranças conservadoras e fascistas de todos os matizes. E o MDB
(Movimento Democrático Brasileiro), para fazer uma oposição de mentirinha,
tolerável pelo regime, no qual se instalaram os escassos liberais e
trabalhistas, sobreviventes dos expurgos e cassações praticadas pelos
“revolucionários”.
Nas primeiras eleições pós-golpe só dava
Arena. E a classe política, esperta como sempre, bandeou-se quase toda para o
partido oficial, criando um verdadeiro balaio de gato. Para acomodar tanta
divergência chegou a existir a Arena 1, Arena 2, Arena 3... Esta
situação perdurou até 1974, quando o eleitorado reagiu fazendo com que a
oposição vencesse em vários estados e cidades importantes, forçando a “abertura
lenta e gradual”, adotada pelo general de plantão no Palácio do Planalto (Geisel).
Hoje, para eleger prefeitos nas principais
cidades mineiras, os partidos da base de apoio ao governo de Minas fizeram um
pacto, no qual, usando a máxima do sindicalismo brasileiro de uns tempos pra cá,
“os fins justificam os meios”, vale tudo para ganhar a eleição. Por aqui não
está sendo diferente. As lideranças locais, tipo boi de presépio, aderiram logo
e se submeteram às ordens de Belzonte, sem tugir nem mugir.
Assim, para acomodar tucanos que não se
bicam, reeditaram arremedos da Arena do tempo da ditadura, lançando dois
candidatos do mesmo grupo. Só que agora, num teatrinho mixuruca, sem as disputas
ferrenhas entre as Arenas dos velhos tempos. Por incrível que possa parecer, há
briga entre candidato a Prefeito e a Vice em uma das Arenas; entre as duas,
paz, compreensão e amor. Não me surpreenderá a divisão do “puder” entre os dois
grupos, se uma das Arenas ganhar. (Credo em cruz).
Algumas
pistas levantadas pacienciosamente pelo meu amigo Ferrando, levam a confirmação
do fato:
1
– O candidato a prefeito de um dos partidos da base, já com a campanha na rua,
equipes de apoio contratadas, entrevistas realizadas com eleitores babacas
simpatizantes, dentre os quais me incluo, jornal editado e os demais requisitos
para ganhar uma eleição em pleno funcionamento, desistiu da candidatura e foi
ser o que disse que jamais seria, quando a fofoca de sua capitulação ganhou
força: candidato a vice na coligação de seu principal adversário, alojado na
Arena 1.
2
– Os partidos que compõem as coligações daqui (Arena 1 e Arena 2), com
pouquíssimas diferenças, são os mesmos da base de apoio ao governo mineiro.
3
– Na Coluna do Leitor do Obbá Coema, eleitora denunciou que um veículo do candidato
da Arena 1 recolheu cavalete do candidato da Arena 2, deixando em seu lugar o
seu cavalete. A turma da Arena 2 respondeu à atitude mafiosa de seu adversário com
um estrondoso silêncio, mais parecendo políticos britânicos, tal a fleuma
demonstrada.
4
– O candidato da Arena 2, mostrando total despreparo para exercer o cargo a que
se propõe, demonstrando a pressa com a qual foi ungido como candidato e o pouco
caso que os políticos fazem da inteligência e da memória dos eleitores,
confundiu Segurança Alimentar, um importante programa nacional no qual as
Prefeituras são os atores principais, com Segurança Pública, propondo a criação
de uma Guarda Municipal como solução para o problema.
5 – O candidato a vice na chapa da Arena 2 foi figura expoente na administração do candidato da Arena1.
5 – O candidato a vice na chapa da Arena 2 foi figura expoente na administração do candidato da Arena1.
6
– Dois candidatos a Prefeito por partidos políticos da base de apoio do governo
de Minas, obrigados a se comporem na marra numa mesma coligação, dão sinal de
estresse, quase saindo no pau em plena via pública. Quem bolou a estratégia não
sabia que os egos e ambições dos dois jamais caberiam numa mesma coligação. Foi
juntar alho com bugalho, deu no que está dando.
Tudo isso em nome de um pacto para manter
o poder custe o que custar, aqui comandado pelo deputado federal tucano, que
manda atualmente na política passense ligada ao governo mineiro. Por tudo isso,
opto pelo MDB, dando meu voto a seu candidato, apesar de não gastar do tal partido, hoje com um P, que antes era proibido, tanto no âmbito municipal quanto no federal, .
0 comentários:
Postar um comentário