A primeira eleição direta para Presidente da República
pós-ditadura militar ocorreu em 15 de novembro de 1.989. Disputavam a
preferência do eleitorado brasileiro 22 candidatos e seus respectivos vices.
Collor (22,611
milhões de votos) saiu na frente com quase o dobro da votação de Lula (11,622
milhões de votos), que ficou em segundo lugar. Os dois foram para o segundo
turno, que se realizou no dia 17 de dezembro. Nas pesquisas que se seguiram,
Collor novamente saiu na frente com folgada dianteira.
Com o passar dos dias, Collor começou a
perder terreno e Lula a ganhar. Na reta final, as pesquisas mostravam que, se a
queda de Collor e a subida de Lula mantivessem o mesmo ritmo, as curvas das
intenções de votos dos dois se cruzariam antes das eleições e Lula ganharia.
Os marqueteiros de
Collor, orientados pelo pessoal da Rede Globo, bolaram uma jogada nada ética
para frear as tendências das curvas para que Collor continuasse na frente até
antes das eleições.
Sabiam que Lula
tinha tido uma filha fora do casamento, Luriam, não reconhecida por ele, com
uma enfermeira chamada Miriam Cordeiro. Anonimamente (hoje se sabe), lançaram a
história na mídia, desorientando Lula, que a época não tinha o traquejo
midiático que tem hoje. Collor ganhou os debates, diante de um Lula assustado e
acuado, freou a tendência das curvas e ganhou o segundo turno (53% a 47% dos
votos válidos).
Esse fato ficou
conhecido como um dos maiores estelionatos eleitorais explícitos até então
praticado no país. Usar de meios não éticos e sorrateiros para influenciar o
voto do eleitor, sem que ele perceba.
Algo semelhante ocorreu em Ibitatá na última eleição.
Não tão dramático e violento, mas, também um estelionato eleitoral, que ainda
não deu certo, mas pode dar. Os indícios são fortes, confirmados por uma
conversa ouvida “en passant” por um grande amigo meu, noite dessas, num boteco ibitatense.
Contarei a conversa no final desta postagem.
Cronograma do
Estelionato:
- Preâmbulo: No meado deste ano eleitoral, o
candidato tucano, dono absoluto de seu partido no âmbito municipal, saiu na
frente na preferência do eleitorado, enquanto os outros candidatos engatinhavam
em busca de apoio e autorização.
Em vista disso, Tatá tornou-se o candidato preferido do
projeto de Belzonte para ganhar as eleições municipais nas maiores cidades do
Estado (que chamaremos de Arena 1) e, assim, criar uma base ampla e sólida para
o projeto maior: Aécio Presidente.
Pra abrigar tucanos que não se bicam e partidários que ainda
acreditam que política tem ser feita com um mínimo de ética, Belzonte autorizou
mais uma candidatura, cujo grupo chamaremos de Arena 2. Mas, este, talvez sem o
saber, subalterno do outro grupo e tratado a pão e água quanto a grana pra
campanha.
- Dia 29/06 – Taquinho, candidato de um partido
que faz parte da base de apoio ao governo mineiro, pressionado por Belzonte
desiste da sua candidatura e aceita ser vice da Arena 1, levando consigo uma
grande rejeição.
- O candidato da Arena 1, agora carregando nas costas uma
rejeição trazida pelo vice, somada a sua, começa a perder ponto na preferência
do eleitorado. Nada assustador, por enquanto.
- Como o destino às vezes é irônico, o candidato do PT não
recebeu a grana prometida para a campanha e ficou do tamanho que começou, o do
manda-brasa também não saiu do lugar, devido a forte oposição interna que
recebeu de seus “correligionários”, quem ganhou os votos que a Arena 1 perdia
foi o candidato da Arena 2.
- Empolgado, o grupo da Arena 2, antes dócil, vendo a
possibilidade de ganhar, fez o que deveria ter feito desde o início da
campanha, não fosse um grupo auxiliar: caiu de pau na Arena 1, inclusive
acusando seus candidatos na Justiça Eleitoral de abuso do poder econômico.
- Dias 16 e 17/08 – Pesquisa encomendada pelo Obbá Coema
mostra Arena1 38,25% e Arena2 28,5 % das intenções de voto.
- Os candidatos da Arena1 vão pra televisão e protagonizam
umas das cenas mais hilárias que já assisti nos meus 72 anos de vida: choram.
Receita de marqueteiro para reverter curva de pesquisa. Não deu certo. Os “artistas”
eram canastrões e não convenceram nem seus fãs incondicionais. Crentinho riu,
ao invés de chorar.
- Dia 26/09 – O vice da Arena 1 tem sua candidatura cassada em
Primeira Instância pela Justiça Eleitoral por abuso do poder econômico e,
surpresa, o candidato a Prefeito não.
- Dias 1 e 2/10 – Nova Pesquisa do Obbá Coema mostra as
curvas se cruzando antes das eleições, Arena1 34,25% e Arena2 35,75%.
- Dia 2/10 – O vice da Arena1, ao invés de recorrer da
sentença, renuncia, entrando em seu lugar um dos membros mais ilustres dos
quadros do seu partido.
- Dia 7/10 – A Arena1 ganha a eleição, demonstrando que a
jogada da troca do vice surtiu o efeito desejado, brecando as tendências das
curvas e revertendo-as. Era o destino mais uma vez, irônico, pregando uma peça
na turma da Arena2. Sua acusação propiciou a troca do vice, sem nenhum
transtorno, como se fosse a coisa mais natural, fruto de uma atitude de respeito
da coligação para com a decisão da Justiça Eleitoral e altruísta por parte do
candidato a vice-cassado.
A conversa de
boteco.
- Meu amigo ouviu de um jovem, que se disse membro da equipe
do vice-cassado, sentado numa mesa ao lado da sua, que os candidatos originais
da Arena1 seriam empossados em Janeiro próximo. Um advogado famoso de Belzonte contratado
pelo vice-cassado assegurou que a sentença foi exagerada e fácil de ser revertida,
uma vez que a história da doação da máquina de lavar roupa teria acontecido
antes do prazo estabelecido pela Lei Eleitoral para criminalizar tal atitude.
Abaixo calendário,
pesquisa eleitoral e fotos que corroboram o cronograma acima.
Calendário
Pesquisa Patrocinada pelo Obbá Coema
Quem é o vice eleito? Não pode ser o que está se segurando pra não ser jogado pra fora da foto.
A dedicatória confirma o que já se suspeitava.
Obbá Coema de 11/10/12 - A turma da Arena2 não gostou do resultado.
Vai continuar no TAPETÃO
Os eleitores que se bandearam pra a Arena2 por não simpatizar com o candidato a vice original e voltaram quando da troca de vice, votando na Arena1 e elegendo os seus candidatos, quando estava tudo perdido, se sentirão tapeados.
E daí? Eleitor não tem memória.





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