sábado, 20 de outubro de 2012

TERRA DO FOGO



     Dia 17 último, Elder Cardoso fez o comentário que se segue; “É tá difícil. Neste fim de semana a Folha da Manhã noticiou que um camarada bebeu e colocou fogo no quarto. Um outro brigou com a esposa e desta vez ateou fogo na própria. Eta vaticínio do blog”.
       O comentário fez lembrar-me de mais uma tradição ibitatense que reforça essa forte ligação de Ibitatá com o fogo, o que explica seu nome.
    Certa vez, isso no século passado, o Prefeito de Ibitatá viajou pra Belzonte a serviço. Como haveria por aqui uma solenidade, de tão “grande” importância que nem me lembro qual era, ele recomendou que os preparativos fossem iniciados na sua ausência pra que tudo estivesse nos conformes quando ele voltasse.
    Quando viajou, deixou em seu lugar para resolver os assuntos rotineiros um dos Secretários não muito familiarizado com as coisas de Ibitatá. Apesar de ter nascido aqui, o tal Secretário tinha vivido toda sua vida profissional longe de Ibitatá.
     Foi então levada ao Secretário, para aprovação, uma Autorização de Compra para aquisição dos materiais necessários para o brilhantismo da solenidade programada. Seria desnecessário dizer que os cofres da Prefeitura não estavam lá grandes coisas, mas, mesmo assim digo, para que se possa entender a atitude do desavisado Secretário.
    Na Autorização de Compras o item mais caro, no sentido monetário da palavra, assustou o desavisado Secretário. Ele, então, não teve dúvidas. Cortou o quantitativo do tal item para um quarto da quantidade pedida.
     De volta de sua viagem a Belzonte, o Prefeito foi logo sabendo do corte pelos puxa-sacos de sempre, doidinhos pra ferrar o desavisado Secretário. E, pior, não dava mais tempo pra comprar o que foi cortado.
     Foi aí que o pobre do desavisado Secretário ficou sabendo que o material do item cortado era também caro, no sentido sentimental da palavra, para o Prefeito e para a maioria dos políticos ibitatenses.
     Depois dessa, para a alegria de muitos, o desavisado Secretário jamais substituiu o Prefeito para tocar os assuntos rotineiros em suas ausências. Também pudera. Onde já se viu tamanha ousadia. Era, e continua sendo, um crime de lesa pátria em Ibitatá cortar  a quantidade de foguetes a ser comprados para abrilhantar uma solenidade. 

     

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