A estadualização da FESP se tornou,
incontestavelmente, um unânime desejo. Tão forte esse desejo para alguns que se
transformou numa verdadeira obsessão para um grupo que se autodenomina “Amigos
da FESP”. Obsessão cega que os levou a publicar duas matérias pagas
conflitantes neste jornal. A primeira no sábado e a segunda na terça.
Na primeira publicação, no sábado 23/03, ocupando
um sexto da terceira página do jornal, cheia de novidades linguísticas, agradecem
ao Governador “pela histórica transformação e absorção da FESP em definitiva
unidade da UEMG” (o grifo é meu). Portanto, informam a todos que a
estadualização da FESP está pronta e concluída.
Depois,
com benevolência, sugerem ao Presidente da FESP (sic) que declare (sic) “um
mea-culpa, reabilitando-se (sic) aos novos tempos que estão prestes” (sic). e,
em seguida, desfilam um rosário de pecados supostamente cometidos por ele. “No
fim” (AA, citado de memória), proclamam: “Os amigos da FESP somos nós, as mais
de 6 mil assinaturas (sic) entregues ao Governador” (sic) e uns outros mais
tímidos que ficaram na moita, mas que fazem parte da turma e também estão a
favor da estadualização da FESP, confirmando a unanimidade.
Na segunda publicação, na terça 20/02,
mais bem escrita e elaborada, respeitando as técnicas do jornalismo moderno e
ocupando mais da metade da terceira página do jornal, desmentem a primeira
publicação ao informar que a estadualização da FESP será iniciada o mês que vem
e estará concluída em 2014, não especificando o mês.
Depois de apresentar o grupo que foi a
Belzonte, a segunda publicação informa que todos manifestaram ao governo do
estado a preocupação pela retirada dos artigos 23 e 38 do Estatuto da FESP,
proposta pelo Presidente de seu Conselho Curador e aprovada numa Assembleia
Geral, segundo um deles, atitude que retira o Governador do processo (sic).
Qual processo? Não disseram. Se for o da
estadualização, a preocupação não procede. A Constituição do Estado de Minas
Gerais de 1989, que criou a UEMG, deu às Fundações de Ensino Superior de Minas
a opção de integrar a nova Universidade criada. A FESP topou; assim, sob o
aspecto legal, ela está estadualizada desde o século passado. Sob o aspecto
prático e funcional, o processo de estadualização começa mês que vem e só não
se concretizará se o governo de Minas não quiser (por questões políticas) ou
não puder (grana, muita grana pra custeio, fora os investimentos). Donde se
conclui que, com ou sem modificação do estatuto da FESP, sua estadualização
completa será efetivada, desde que o governo do estado queira.
Algumas passagens interessantes, pinçadas
da segunda publicação.
Em
letras grandes: “Promotora concorda com denúncia de que no local (da
assembleia) não havia 281 pessoas”; em letras pequenas: “A Promotora, porém,
afirma que observou que existia quórum para a aprovação, e que houve apenas um
voto contrário às alterações do estatuto”, donde se conclui que a Assembleia
foi legal; sendo soberana, estamos conversados.
Um tucano de alta plumagem, ouvindo o eco
da história, manifestou a preocupação de a FESP ser privatizada. O eco deve ter
falhado no período da história brasileira em que o tucanada privatizou adoidado pelo Brasil afora, senão a preocupação não faz sentido.
A exagerada ênfase dada à retirada dos
citados artigos do Estatuto, para os menos avisados, pode ficar parecendo que a
poderosa Assembleia da FESP deu um golpe de estado, tirando poderes do
governador.
Segundo meu fraternal amigo Ferrando, do
contra em tudo, mas a favor da estadualização da FESP, golpe de estado coisa
nenhuma. O que a Assembleia fez foi dar sossego ao Governador, tirando da sua
cola os “correligionários” de sempre que vão a Belzonte depois de mudanças na
política municipal atrás das bocarras, das bocas e das boquinhas. Ferrando
manifestou uma preocupação. Quem está bancando as despesas dessa FESTA?

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