quarta-feira, 13 de março de 2013

SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?



     Uma história acontecida aqui bem perto de nos ilustra o fundo do poço que atingimos nos tempos atuais, com relação a atitudes de nossas “otoridades”, que acham que podem invadir qualquer local sem ser convidadas ou autorizadas.
     Certo domingo, visitava a Usina de Furnas, acompanhado de sua família, o vice-presidente da empresa. Homem simples e educado, engenheiro competentíssimo, dispensou o motorista engravatado que o acompanhava, assumiu a direção do veículo e foi com toda a família visitar a usina.
     Como era a primeira vez que visitava, em caráter não oficial, uma usina da empresa em operação, não sabia da necessidade de autorização para a visita. Lá chegando, foi barrado pelo guarda de plantão. De longe, observava a cena o responsável pela operação da usina, engenheiro Oyama. Percebendo a movimentação e vendo quem estava no carro, pra lá se dirigiu para receber o vice-presidente.
     Não deu tempo. Dr. Lyra havia dado meia volta e ido embora. Ao chegar ao local, Oyama perguntou ao guarda o que havia acontecido. Aquele senhor com aquele povão todo (Dr. Lyra tinha muitos filhos) queria visitar a usina; perguntei se ele tinha autorização; disse que não; aí eu disse que não podia. Sabe quem você barrou, perguntou Oyama. Não. Barrou o vice-presidente de Furnas. O guarda desmaiou no ato.
    Houve um corre-corre para sanar o dano. Não deu tempo. Dr. Lyra retornou ao Rio logo depois do almoço. Ficou então a expectativa do iria acontecer na segunda-feira. Naquele tempo a comunicação com o Rio era precária, feita através de um telégrafo.
    Depois do almoço daquela segunda, o chefe da usina recebeu um telegrama do Dr. Lyra, solicitando que ele cumprimentasse o guarda da usina pela atitude competente e responsável, que o deixou tranquilo quanto à segurança das instalações e que, tal atitude, tinha sido uma aula de profissionalismo para os seus filhos.
   Naquela época as autoridades eram por completas: cabeça, tronco e membros. Agora elegem “otoridade” pelas metades: um pedacinho pequeno e duro da anatomia humana. Aí, dá no que está dando.   

Nada a ver com o texto acima, mas este foi o maior atacante que o curingão já teve.

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