Uma história acontecida aqui bem perto de nos ilustra o fundo do
poço que atingimos nos tempos atuais, com relação a atitudes de nossas
“otoridades”, que acham que podem invadir qualquer local sem ser convidadas ou
autorizadas.
Certo domingo, visitava
a Usina de Furnas, acompanhado de sua família, o vice-presidente da empresa.
Homem simples e educado, engenheiro competentíssimo, dispensou o motorista
engravatado que o acompanhava, assumiu a direção do veículo e foi com toda a
família visitar a usina.
Como era a
primeira vez que visitava, em caráter não oficial, uma usina da empresa em
operação, não sabia da necessidade de autorização para a visita. Lá chegando,
foi barrado pelo guarda de plantão. De longe, observava a cena o responsável
pela operação da usina, engenheiro Oyama. Percebendo a movimentação e vendo
quem estava no carro, pra lá se dirigiu para receber o vice-presidente.
Não deu tempo. Dr. Lyra havia dado meia volta
e ido embora. Ao chegar ao local, Oyama perguntou ao guarda o que havia
acontecido. Aquele senhor com aquele povão todo (Dr. Lyra tinha muitos filhos)
queria visitar a usina; perguntei se ele tinha autorização; disse que não; aí
eu disse que não podia. Sabe quem você barrou, perguntou Oyama. Não. Barrou o
vice-presidente de Furnas. O guarda desmaiou no ato.
Houve um
corre-corre para sanar o dano. Não deu tempo. Dr. Lyra retornou ao Rio logo
depois do almoço. Ficou então a expectativa do iria acontecer na segunda-feira.
Naquele tempo a comunicação com o Rio era precária, feita através de um telégrafo.
Depois do almoço
daquela segunda, o chefe da usina recebeu um telegrama do Dr. Lyra, solicitando
que ele cumprimentasse o guarda da usina pela atitude competente e responsável,
que o deixou tranquilo quanto à segurança das instalações e que, tal atitude, tinha
sido uma aula de profissionalismo para os seus filhos.
Naquela época as
autoridades eram por completas: cabeça, tronco e membros.
Agora elegem “otoridade” pelas metades: um pedacinho pequeno e duro da anatomia
humana. Aí, dá no que está dando.
Nada a ver com o texto acima, mas este foi o maior atacante que o curingão já teve.

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