terça-feira, 2 de abril de 2013

EDILIDADE ESTÉRIL E DISPENDIOSA.



     A Coluna Informes da Folha da Manhã de domingo último fez comentários pertinentes sobre a atuação de nossa colenda Câmara neste ano. Gostaria de acrescentar algumas observações aos citados comentários que demonstram a dimensão do problema.
     Essa tipo de atuação não é de hoje. Se repete desde a implantação da remuneração dos edis, estabelecida pelo regime militar de 1964 e confirmada pela Constituição cidadã de 1988. Transformou uma função pública exercida por pessoas abnegadas, sem paga ou vantagens, num negócio de compadres, ressalvadas as poucas exceções.
     As principais atribuições da edilidade, de legislar e, principalmente de fiscalizar e controlar atos do Executivo, foram relegadas a um segundo plano, sobressaindo hoje as funções assessórias de dar nome aos logradouros públicos e de homenagear pessoas.
     E atuação desse tipo custa caro pra nos contribuintes. A mesma Constituição cidadã que confirmou a remuneração dos edis estabeleceu um teto para os gastos do legislativo municipal. Limite esse transformado em grana necessária para o bom funcionamento do legislativo, por acordo com o Executivo em troca de apoio incondicional. Grana, dos outros, à farta, gastos desnecessários e abundosos, na certa.
     Para municípios do porte do nosso, esse limite é de 6 % das receitas dos tributos e das transferências referentes ao ano anterior, descontado o valor das despesas com os inativos. Para este ano, mais de seis milhões de reais ou R$ 500.00,00 e cacetadas por mês.
       Para aumentar ainda mais a dimensão do problema, de uns tempos recentes pra cá, os edis criaram uma nova, cara e inútil função, sem o devido respaldo legal, que poderia ser chamada de turismo remunerado, sem resultados, com divulgação garantida. Uns tantos deles se mandam pra capital em busca de recursos ou levando demandas da população. (Apresentei recentemente sugestão de projeto de lei para legalizar tal turismo).
     Enquanto que, para as verdadeiras demandas da população, eles não estão nem aí.  Testemunhas disso são as demandas relativas ao fechamento dos CRAS, ao embargo da construção das casas populares e a não operacionalização do restaurante popular. Nem lembradas foram nas raras sessões legislativas deste ano, uma vez que na nova legislatura a edilidade já começa em férias.


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